10 dicas essenciais para viajar com artrite reumatoide
Blog de Nadine Garland

Acho que sou a pessoa ideal para falar sobre viagens com artrite reumatoide, porque é algo que adoro fazer e, basicamente, o que me trouxe da Austrália para o Reino Unido. Fui diagnosticada com artrite reumatoide em 1987, aos 19 anos, e recebi um prognóstico sombrio sobre a vida que eu poderia esperar, incluindo estar em uma cadeira de rodas aos 30 anos, o que tornaria as viagens impossíveis.
Sendo uma pessoa teimosa, fiz de tudo para garantir que essa nunca fosse a minha realidade. Na verdade, ter artrite reumatoide me abriu muitas oportunidades para viajar, participar de conferências e seminários em países incríveis. Também consegui contagiar meu marido com o gosto por viagens, embora ele nunca tivesse saído da Austrália antes de nos conhecermos. Então, temos muitas viagens para fazer e essa é a principal razão pela qual estamos morando no Reino Unido, tendo chegado em dezembro de 2019 e, em seguida, todos os nossos planos de aventuras na meia-idade alterados por uma pandemia global. Descobrimos que o desejo de viajar e conhecer outras pessoas, culturas e lugares é mais do que apenas algo físico; trata-se, sobretudo, de uma atitude de encontrar soluções em vez de se deixar paralisar pelos obstáculos.
Por isso, aqui estão minhas 10 principais dicas de como viajar mesmo tendo artrite reumatoide.
1. Planeje para onde ir
Faça uma lista dos lugares que você quer visitar e inclua alguns destinos nacionais. Isso pode te ajudar a ter uma ideia dos possíveis obstáculos e te dar a oportunidade de encontrar soluções antes de viajar. Você também pode experimentar um tour virtual; são tours online guiados por guias locais, que podem ser de cidades ou atrações como museus e zoológicos. Eu tenho usado o https://www.heygo.com e ele me ajudou a reduzir minha lista enorme de lugares que quero visitar e me deu algumas ideias sobre o que vou precisar se for visitar alguns desses destinos. Por exemplo, quando eu for a Roma, preciso ser realista sobre quantas atrações consigo ver em um dia e que, embora sandálias sejam bonitas, meus pés não aguentariam tanta caminhada sem um calçado adequado.
2. Planeje quando ir
Em que época do ano o destino escolhido parece incrível, e você consegue se organizar para ir? Por exemplo, eu adoraria ver o Festival de Gelo no Japão, mas a praticidade de andar na neve espessa usando várias camadas de roupa é, no mínimo, questionável, e nem me fale em usar um banheiro turco vestido de Yeti.
3. Planeje como chegar lá
Embora voar seja a maneira mais rápida, às vezes você pode aproveitar a jornada, não apenas o destino. Fazer um cruzeiro pode, por vezes, dar a sensação de estar em um clube RSL flutuante (uma referência bem australiana, mas os Clubes de Veteranos ou RSLs são grandes clubes com bares, bistrôs/restaurantes, máquinas de jogos e uma variedade de opções de entretenimento). Eles têm muitas vantagens. Você pode conhecer muitos lugares diferentes sem ter que fazer e desfazer malas ou organizar transporte. Você pode fazer o que quiser, no seu próprio ritmo, e tem assistência médica à disposição quando precisar. Os trens também são uma boa maneira de viajar longas distâncias, pois você pode se levantar e se movimentar com muito mais facilidade do que em um avião, e consegue apreciar muito mais a paisagem ao redor.
4. Planeje seus deslocamentos
Há táxis ou transporte público disponíveis? É fácil utilizá-los? Existem passeios de um dia que permitam explorar a região sem precisar se preocupar com a locomoção? É possível alugar um carro? Quais são as regras de trânsito?
As ruas são de paralelepípedos? Não sei quanto a vocês, mas eu preciso dobrar o tempo estimado para caminhar até certos lugares se as calçadas forem irregulares, e acabo perdendo muita coisa porque preciso me concentrar em onde estou pisando em vez de olhar ao meu redor.
5. Planejar planos de contingência
O que fazer em caso de crise ou lesão? Como consultar um médico? Se estiver tendo um dia difícil, quais atividades você pode realizar com o mínimo de esforço?
6. Pesquisa
Muitas dessas informações já estão incluídas na fase de planejamento, mas às vezes é preciso prestar atenção ao que outras pessoas disseram sobre os lugares que você vai visitar e o hotel em que pretende se hospedar. A primeira pergunta a se fazer em relação aos hotéis é: quantos lances de escada tem o quarto e ele possui elevador? Mesmo que você tenha boa mobilidade, é sempre bom garantir que seu quarto seja de fácil acesso. A última coisa que você quer depois de um dia de aventuras é ter que subir três lances de escada antes de poder se deitar. O hotel tem frigobar no quarto?
Confira as avaliações de outras pessoas. Certifique-se de que o produto corresponde ao que diz ser. Às vezes, as belas fotos não condizem com a realidade ou com a experiência de outras pessoas.
7. Flexibilidade
Informe-se sobre as políticas de cancelamento e reembolso para cada etapa da sua viagem. Se estiver reservando por meio de uma agência de viagens, certifique-se de que tudo esteja incluído no pacote. Conheço pessoas que acreditavam ter total flexibilidade, mas descobriram que um dos voos de conexão era operado por uma companhia aérea diferente, com uma política de reembolso distinta, o que as impedia de obter reembolso daquela passagem.
8. Medicamento
Eu sempre levo pelo menos uma semana extra de medicação, por precaução. Tenho um estojo que guardo na minha bolsa com uma pequena quantidade e, quando viajo de avião, levo o restante dos meus medicamentos na bagagem de mão. Se você toma algum medicamento que precisa de refrigeração, pode usar uma lancheira térmica com uma bolsa de gelo dentro. Se a viagem for longa, leve alguns saquinhos plásticos com fecho hermético que você possa encher com gelo. Não espere poder colocar seus medicamentos na geladeira do avião, eles não permitem.
9. Outras embalagens
Demorei um pouco para aderir à revolução dos organizadores de mala, mas agora sou fã. Tenho vários tamanhos e alguns impermeáveis para roupas de banho — elas sempre ficam úmidas, então é bom mantê-las separadas. Também levo um organizador vazio para minhas roupas sujas. O tipo de bagagem que você escolher também pode depender de você e do seu destino. Faça as malas uma semana antes de viajar e retire um terço do que você colocou. Malas com rodinhas são ótimas, exceto se você precisar carregá-las por ruas de paralelepípedos — desculpe insistir no assunto, mas não é algo em que eu tenha pensado muito na Austrália! Mochilas também podem ser boas, mas sempre achei melhor ter alguém para ajudar a colocá-las e tirá-las das costas.
10. Equilibre repouso e atividade
Inclua dias de descanso e sonecas na sua programação. Reserve um dia para explorar tudo o que o seu hotel tem para oferecer. Tem um spa? Há algum parque por perto onde você possa passar uma manhã tranquila sentado observando as pessoas? Descobri o prazer de uma soneca (ou cochilo da vovó, como eu chamo) quando viajei pelo Zimbábue. Eu acordava cedo para encontrar um lugar para apreciar o nascer do sol, depois tomava um café da manhã sem pressa e, em seguida, explorava mais a região. Geralmente, almoçava algo leve e tirava uma soneca, seguida de um mergulho, o que me preparava para uma tarde/noite de aventuras. Comece a fotografar, é uma excelente desculpa para caminhar mais devagar e fazer pausas frequentes. Além disso, você terá memórias incríveis registradas para sempre e poderá voltar aos seus lugares favoritos sempre que quiser.
Perguntas frequentes de pessoas com AR
“Como é que se decide para onde viajar quando se tem artrite reumatoide e não se sabe se o corpo vai reagir quando se chegar lá?”
Comece pela parte divertida — os lugares que você quer visitar — e depois planeje de trás para frente, considerando o que seu corpo realmente precisa. Observe fatores como terreno, clima, escadas, transporte e a quantidade de caminhada envolvida. Não se trata de se limitar, mas sim de saber o que você vai encontrar para poder se planejar adequadamente. Os tours virtuais são ótimos para isso, pois permitem identificar os momentos de "nossa, quanta pedra no caminho!" antes mesmo de chegar lá. Você não está escolhendo destinos com base na artrite reumatoide, mas sim levando em conta a sua condição física.
"Viajar de avião é realmente a única opção, ou existem maneiras mais fáceis de viajar quando ficar sentado por horas prejudica as articulações?"
Voar é a maneira mais rápida, mas definitivamente não é a única. Trens e cruzeiros podem ser muito mais confortáveis para o corpo, pois você pode se movimentar, se alongar e não se sentir preso em uma posição. Os cruzeiros, em especial, aliviam a pressão — nada de fazer e desfazer malas, nada de se preocupar com transporte, e assistência médica disponível caso precise. Não se trata de evitar aviões para sempre; trata-se de escolher a opção que torna a viagem mais fácil em vez de exaustiva.
"O que você leva na mala quando tem artrite reumatoide e está tentando não levar a casa inteira?"
Leve o que facilita a vida, não o que pesa. Primeiro, os medicamentos — sempre em excesso, sempre na bagagem de mão. Depois, coisas que reduzem o esforço: sapatos confortáveis, uma bolsa térmica se os seus medicamentos precisarem e uma mala que você consiga carregar sozinha. Os organizadores de mala também são muito úteis. Essas pequenas bolsas com zíper ajudam a condensar e organizar a sua bagagem, facilitando o processo de arrumar e desarrumar as malas! E sim, livre-se de um terço do que você leva — todo mundo leva coisas demais, e isso é ainda mais cansativo quando se tem artrite reumatoide. Pense no conforto, não em "por precaução"